Do Direito à Psicologia: a trajetória de Nair Saboia
Na prática do Direito de Família, Nair Saboia percebeu que muitos conflitos que chegam ao Judiciário carregam dores emocionais que a aplicação da lei, sozinha, não consegue resolver.
Revista Évoluer · 8 set. 2026 · 8 min

Divórcios, disputas de guarda, partilhas e outros conflitos familiares frequentemente revelam algo que vai além da controvérsia jurídica: rupturas, medos, ressentimentos e histórias que ainda não foram elaboradas.
Foi nesse cotidiano que Nair compreendeu que o advogado pode exercer um papel que ultrapassa o domínio técnico da legislação. Identificar a dimensão emocional do conflito permite construir caminhos mais conscientes e, muitas vezes, evitar que a disputa se transforme em um litígio ainda mais doloroso.
“Muitas vezes, o que chega ao balcão do Judiciário como um pedido de partilha ou de pensão é, na verdade, um pedido de socorro emocional ou a dor de uma ruptura não elaborada.”
Para ampliar essa perspectiva, Nair ingressou na faculdade de Psicologia. A proposta não é abandonar a advocacia, mas somar conhecimentos e construir uma ponte entre a razão jurídica e uma escuta mais sensível.
A nova etapa dessa trajetória ganha forma com o projeto Atendimento Conectado, concebido como um modelo de consultoria jurídica voltado à gestão de conflitos emocionais no período pré-litígio. A iniciativa pretende acolher famílias em momentos de crise antes mesmo do ajuizamento de uma ação, criando um espaço seguro para que os aspectos jurídicos e humanos do conflito sejam compreendidos com mais profundidade.
Com a formação em Psicologia em andamento, Nair busca qualificar ainda mais sua atuação: mediar acordos com empatia, compreender melhor as necessidades envolvidas e ajudar seus clientes a atravessar transições familiares dolorosas com estabilidade e dignidade.
Sua trajetória reafirma uma premissa essencial: o Direito é feito por pessoas e para pessoas. E, em sua forma mais nobre, exige conhecimento, responsabilidade e, sobretudo, humanidade.